“SUSTER” criação artística no Estabelecimento Prisional da Guarda
“Ar Livre” é um projeto pluridisciplinar de cocriação, formação e intervenção artístico-social desenvolvido pela Terceira Pessoa Associação com a população reclusa, masculina e feminina, do Estabelecimento Prisional da Guarda.
“SUSTER” criação artística no Estabelecimento Prisional da Guarda
“Ar Livre” é um projeto pluridisciplinar de cocriação, formação e intervenção artístico-social desenvolvido pela Terceira Pessoa Associação com a população reclusa, masculina e feminina, do Estabelecimento Prisional da Guarda.
A premissa do projeto assenta no conceito de heterotopia, proposto por Michel Foucault, segundo o qual determinados espaços podem constituir-se como lugares alternativos de experiência e transformação. Neste contexto, o espaço teatral converte-se num território de liberdade simbólica, capaz de proporcionar um afastamento temporário das limitações físicas e sociais inerentes ao meio prisional, favorecendo processos de desenvolvimento pessoal, expressão individual e construção coletiva.

Resultado de vários meses de trabalho, formação e criação artística conjunta, o espetáculo “SUSTER” foi apresentado ao público no passado dia 29 de maio, no Teatro Municipal da Guarda. Cruzando teatro, escrita, improvisação e composição cénica, a peça desenvolve-se em torno da respiração enquanto metáfora de resistência, existência e liberdade, dando voz e presença a pessoas privadas de liberdade que assumem o papel de intérpretes da sua própria criação artística.
O público acompanhou com expectativa e curiosidade uma apresentação que rapidamente se revelou marcante. A qualidade artística do espetáculo, a autenticidade das interpretações e a intensidade emocional da performance deixaram uma forte impressão nos presentes, que reconheceram não apenas o resultado final apresentado em palco, mas também o exigente percurso de trabalho, dedicação e compromisso que lhe deu origem.

Entre os presentes encontravam-se o Diretor-Geral da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Dr. Orlando Carvalho, e a Subdiretora-Geral, Dra. Isabel Leitão, que tiveram oportunidade de testemunhar de forma direta o alcance e a relevância deste projeto, bem como o empenho demonstrado pelos participantes ao longo de todo o processo criativo.
Projetos como o “Ar Livre” evidenciam o potencial da intervenção artística enquanto instrumento de desenvolvimento pessoal e social, promovendo competências relacionais, comunicacionais e emocionais fundamentais para os processos de reintegração. Os resultados observados junto dos participantes revelam-se particularmente promissores, reforçando a importância de iniciativas que, através da cultura e da arte, criam oportunidades de reflexão, capacitação e construção de novos percursos de vida.

Mais do que um espetáculo, “SUSTER” constituiu um testemunho vivo da capacidade transformadora da criação artística, demonstrando que a arte pode ser um espaço privilegiado de encontro, reconhecimento e mudança, contribuindo de forma significativa para a missão de reinserção social prosseguida pela DGRSP.